Sermig

O “problema dos pobres” desafia toda a cidade...

Cada problema que surge suscita sempre a pergunta: "quem é o responsável?". Isso é correto, mas ainda mais necessário que isso, a partir das TRAGÉDIAS desses dias, é começar a trilhar um caminho longo (mas CONCRETO) que faça nascer uma CULTURA DA ACOLHIDA, que leve cada comunidade, paróquia, mosteiro, centro de espiritualidade, condomínio, escola, colégio, faculdade, clube etc. a se deixar “incomodar” e plasmar pela lógica do Evangelho: "Dai-lhes vós mesmos de comer" (Lc 9,13b). É só abrindo uma porta por vez para a acolhida, é só nos transformando, devagar mas decididamente, em uma "comunidade que acolhe"... que chegaremos a ser uma cidade que não exclui, mas que acolhe. (SERMIG – Fraternidade da Esperança)

NOTA: Frio em São Paulo – morte de moradores de rua

A Arquidiocese de São Paulo expressa profunda tristeza e preocupação pelos quatro moradores de rua, que morreram nas noites da semana em que a cidade de São Paulo enfrentou uma forte onda de frio: João Carlos Rodrigues, de 55 anos, foi encontrado perto da estação Belém do metrô; Adilson Justino, na Avenida Paulista; outras duas pessoas ainda não identificadas, na área do bairro de Santana. Tudo leva a crer que a causa próxima da morte deles foi o frio.

Neste Ano Santo extraordinário da Misericórdia, que a Igreja Católica celebra, recomendamos a todas as paróquias, comunidades e instituições religiosas da Cidade a prática de obras concretas de misericórdia, como: acolher, alimentar, abrigar, aquecer, visitar, assistir, confortar os irmãos e irmãs que vivem nas ruas desta Metrópole. E que se multipliquem as iniciativas de solidariedade e o apoio às obras sociais dedicadas ao cuidado dos pobres.

Aos Poderes Públicos apelamos a que se realizem ações emergenciais de socorro aos moradores de rua durante os dias frios e se promovam políticas estáveis e permanentes para assegurar a dignidade dessas pessoas.

O “problema dos pobres” desafia toda a cidade de São Paulo a se mostrar acolhedora e sensível diante das necessidades do próximo. Mais do que seu patrimônio e riqueza material, vale cada ser humano, que nela habita e precisa ser acolhido e amparado. A maior riqueza da cidade são as pessoas sensíveis e solidárias diante dos sofrimentos do próximo. Elas humanizam a vida da cidade.

Lembremos sempre as palavras de Jesus: tudo o que fizestes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes (cf Mt 25,40). Isso mesmo também ensina a sabedoria popular: “o que se dá ao pobre, empresta-se a Deus”.

São Paulo, 12 de junho de 2016

 Pe. Júlio Renato Lancelloti - Vigário para a População de Rua 

Cardeal Dom Odilo P.Scherer - Arcebispo de São Paulo