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A PRAÇA toma as ruas... Do Bresser

clique para ampliarNão queremos falar apenas do primeiro BATUCA-BRESSER porque isso já passou... Mas aqui estamos nós, já prontos para o segundo BATUCA-BRESSER! Não acreditam? Perguntem a quem, no último sábado (1º de março de 2014) batucou na Rua Visconde de Parnaíba, na Frei Gaspar e na Almeida Lima. Ou para quem nos viu passar pelas ruas... Se por um segundo não pensaram em participar. Perguntem às crianças, que brigaram com seus pais para que pudessem estar presentes. Perguntem aos meninos e meninas com dificuldades físicas e psíquicas (que chamamos de especiais por serem realmente amados de maneira especial) que vieram homenagear o nosso empenho de tantos dias. Podem até perguntar aos funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que nos olhavam com olhos limpos. Pude ler nos pensamentos deles: “Quantos grupos já ajudamos a desfilar, mas olha que coisa simples e bonita!”

Vimos, pela primeira vez, o sorriso da mulher que há anos dorme na calçada da Rua Ipanema. Perguntou-nos ela: “Posso ir também?”. “Claro!”, respondemos. Havia muito tempo que não ficava tão bem assim com alguém e, portanto, podem perguntar também a ela. Perguntem ainda às centenas de amigos e amigas que não puderam batucar com a gente: “Estou aqui, mas o meu coração está batendo com vocês!” Aposto que todos esses já anseiam pelo segundo BATUCA-BRESSER.

clique para ampliarE sim, já estamos sonhando com as marchinhas que realizaremos o ano que vem. Já visualizamos um bloco de rua genuíno, singelo, feito para todos participarem, para todos serem acolhidos como o nosso bairro nos ensina. Um bloco onde não é importante a folia, o perder-se completamente, a cerveja e o exibicionismo, mas tão somente o verdadeiro estar juntos. Queremos um bloco onde ninguém seja excluído por estar doente, ou por ser pequeno demais, velho demais, ou porque não nasceu neste bairro. Desejamos um bloco acolhedor, onde aqueles que estão passando por um momento difícil possam passar instantes de descontração e que aqueles que sempre foram excluídos possam fazer parte.
O carnaval é isso: lançar-se à alegria, à batucada, à força da música para exorcizar por um momento o mundo real sem fugir dele completamente. Afinal, todos sabemos que depois da batucada, dos confetes jogados em nossos cabelos e dos gritos lançados ao ar, tudo volta a ser como era antes; e para todos nunca é fácil voltar para a realidade. Que tal lançar uma ideia no Carnaval para que, a partir dele, possamos começar a enfrentar juntos, e com alegria, os problemas de nosso bairro? Sem nenhuma outra intenção a não ser para que todos possamos viver melhor.

clique para ampliarErnesto, o fundador do Arsenal e da nossa comunidade, participando a um dos encontros de preparação do BATUCA-BRESSER, tinha nos dito que todo mundo entende a música, o silêncio e a solidariedade e que a nossa música iria mostrar a todos o significado do silêncio e da solidariedade. Neste sábado, procuramos mostrar com o nosso ritmo que podemos ser um pouco mais solidários uns com os outros e que podemos aprender a ficar mais pertinho de quem não está bem, de quem precisa de nós para viver. O nosso batucar não é a mágica que corrige nossos erros, sara as feridas que causamos e que nos machucam, mas é caminho para (re)começarmos a construção de uma comunidade mais humana, que possa amenizar a dor de quem sofre e melhorar a vida de todos.

Entendem agora porque este BATUCA-BRESSER não é mais importante do que aquele que podemos construir para o ano que vem? Todos estão convidados a construir conosco d’A PRAÇA um bairro melhor e a preparar o próximo BATUCA-BRESSER que em dez anos certamente será o bloco de rua mais bonito de São Paulo! Até porque nesse bloco, nesse bairro, todo o mundo é bem-vindo! Vamos apostar?